Quinta-feira, 10 de Fevereiro de 2011
O homem santo

O Céu é para todo o sempre, a Terra existe.

Mas o que faz com que o Céu e a Terra sejam para sempre e existam?

Porque não se vivem a si próprias,

Por isso podem viver para sempre.

 

E assim o homem santo:

Ele refreia a sua pessoa –

E destaca-se;

Ele afasta a sua pessoa –

E a sua pessoa avança.

 

Não é assim porque o é sem pensar em si?

Por isso é capaz de aperfeiçoar o seu Eu.

 

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Tao-Tê-king (7)


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mart às 13:57
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A fada do vale

Imortal é a fada do vale:

Assim se diz do místico feminino.

A entrada para o místico feminino:

O nome para a raíz do céu e da terra.

Ondulando sem fim, sempre presente,

E assim uma fonte de muita dor.

 

Tao-Tê-King (6)

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Nota: Há quem veja aqui uma alusão a uma história do lendário matriarcado.


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mart às 11:31
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Terça-feira, 17 de Agosto de 2010
Transformação e luta dos contrários

Lao zi

O conceito de transformação, mudança, processo, metamorfose, é um conceito essencial para a compreensão do mundo, da vida, da natureza, do cosmos. Tudo se transforma desde os astros até à mais pequena célula. A transformação é imparável.

 

Heraclito, o filósofo pré-socrático grego, condensou na expressão panta rhei, tudo flui, a transformação como resultado da luta permanente entre forças opostas. Esta luta implacável verifica-se em todo o universo até à mais ínfima partícula. A estas forças em conflito permanente podemos dar o nome que quisermos: a vida e a morte, o bom e o mau, o cosmos e o caos, o amor e o ódio, o ser e o não-ser. A elas e só a elas devemos a nossa existência. Este combate permanente é absolutamente necessário para a vida; ele é a própria vida.

 

O combate entre forças contrárias, como princípio imanente à própria vida, é dos mais velhos do pensamento humano. O zoroastrismo, uma antiga religião monoteísta de origem persa, do qual Zaratustra foi sacerdote máximo, tinha por princípio a luta entre o bem e o mal. Quanto à época em que viveu Zaratustra as opiniões divergem. Uns historiadores apontam 1800, outros 1600, outros ainda 600 a.C. No zoroastrismo o espírito do Bem, Spenta Mainyu ou Aúra-Masda, luta com o espírito do Mal, Angra Mainyu ou Arimã. São apontados como espíritos gémeos em luta permanente, e da vitória do espírito do Bem, segundo esta religião, acabou por resultar o mundo.

 

Nesta fase da história da humanidade (também aqui é difícil apresentar datas exactas), na China, o taoísmo de Lao Zi e de Chuang-Tzu, explica, também ele, a vida como resultado de uma luta constante entre duas forças similares e opostas, o yin e o yang.

 

Enquanto Zaratustra inclui o homem nos espíritos bons e a mulher nos maus, dando a prevalência aos homens, o taoísmo coloca o homem e a mulher no mesmo plano. Yang é o dominante, o princípio masculino, equiparando-o ao sol, ao fogo, ao brilho, à força, ao calor e à coragem. Yin é o complacente, o resiliente, o princípio feminino, e assim identificado com  a lua, a água, a fraqueza, a docilidade, o frio e a inconstância.

 

São surpreendentes as semelhanças entre as máximas de Lao Zi e as de Heraclito, embora seja de excluir que se tenham conhecido ou as tenham copiado um do outro.  Lao Zi escreve no cap. II do seu Tao-tê-Ching: “Se todo o mundo pode reconhecer a beleza no Belo, então o Feio também existe. Se todo o mundo pode reconhecer a bondade no Bom, então o Mal também existe.”

 

Heraclito escreveu: “É a doença que torna a saúde agradável, o mau justifica o bom, a fome exige a satisfação, o esforço pede o descanso.” Lao Zi: “O que quiseres comprimir tens de deixar antes expandir; o que quiseres enfraquecer tens antes de deixar ser forte em toda a plenitude.” (cap. XXXVI do Tao-tê-Ching). Heraclito: “O caminho ascendente e descendente é sempre só um e sempre o mesmo.”

 



mart às 17:49
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Domingo, 1 de Agosto de 2010
Provérbio chinês (1)

Quando falares de alguém,

Destaca primeiro as suas qualidades;

Assim já não precisas de falar dos seus defeitos,

Que logo saltam à vista.



mart às 17:57
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Quarta-feira, 30 de Dezembro de 2009
China: Encontrado túmulo de Cao Cao

 

Cao Cao foi um imperador lendário chinês, morto há quase 1800 anos e que ficou célebre pela crueldade da sua governação, mas também ganhou fama nas letras e como estratega militar. Cientistas chineses afirmaram há poucos dias ter descoberto o túmulo do tirano na província de Henan, na parte central da China, junto da cidade de Anyang, a capital do reino Wei de Cao Cao.
 
Durante os trabalhos arqueológicos que se prolongaram por cerca de um ano, foram encontrados na tumba objectos com inscrições que confirmam tratar-se de utensílios usados frequentemente pelo soberano Wu de Wei. Este foi o título atribuído a Cao Cao depois da sua morte.
 
No mausoléu foram encontrados ainda os restos de três cadáveres – de um homem com cerca de 60 anos, de uma mulher na casa dos 50 e de uma outra mulher com idade entre os 20 e os 30 anos. Os restos mortais das mulheres são atribuídos à esposa e à amante do impiedoso déspota.
 
Os feitos de Cao Cao durante o seu reinado entre 208 e 220 d.C., representam uma parte significativa do romance clássico chinês “A era dos três impérios”. Esta obra é representada com frequência em óperas de Pequim e os poemas do imperador fazem parte do programa de leitura das escolas chinesas.  


mart às 15:30
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Terça-feira, 6 de Outubro de 2009
A Estela Nestoriana de Xian

Os Nestorianos eram um grupo cristão do primeiro milénio com vasta influência nas regiões asiáticas. Nestório, o seu patrono, foi arcebispo de Constantinopla e condenado como hereje no ano 431 pelo concílio do Éfeso. Nos tempos de hoje os nestorianos estão practicamente caídos no esquecimento.

 
No ano 635 os primeiros missionários nestorianos chegaram a Xian, a histórica capital chinesa durante muitas dinastias. Xian é a cidade onde foram descobertos guerreiros de terracota, em tamanho natural, durante as escavações feitas no século passado. Xian tem ainda uma outra raridade: A Estela Nestoriana, também conhecida por Pedra Nestoriana ou Bloco Nestoriano.
 
Trata-se de um monumento em calcário com uma altura de 2,79 metros levantado em 781, no tempo da Dinastia Tang, para comemorar a chegada à China dos primeiros missionários da Igreja Nestoriana, cerca de 150 anos antes. Nas inscrições nelas feitas é assinalada a expansão da comunidade cristã em diversas regiões no norte da China. No bloco ficou também registado o reconhecimento inicial, em 635, da comunidade religiosa pelo Imperador Taizong.
 
No topo do bloco está uma cruz. Deus é designado como “Majestade Verdadeira” e o texto fala da Criação do Mundo, da Cruz e do Baptismo.Com a proibição do cristianismo a pedra foi enterrada, tendo estado quase 800 anos ignorada debaixo da terra e só em 1625 tornou a ver a luz do dia.


mart às 19:11
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Quinta-feira, 30 de Julho de 2009
Yin e Yang e a Harmonia

Quem se ocupa com o pensamento clássico chinês acaba mais tarde ou mais cedo por ser confrontado com os princípios yin e yang. A sua associação à imagem da mulher e do homem, o feminino e o masculino, deve ser vista como uma tentativa de melhor sugerir a relação permanente e contraditória entre todas as coisas, a sua interdependência, que surge a todos os níveis e em todos os estádios num processo de desenvolvimento da vida.

 
Yin e Yang são inseparáveis, quando se fala de um, logo o outro está subentendido. Um no pode existir sem o outro. Ambos os princípios estão presentes em todos os momentos do ser. Podemos vê-los também como dois impulsos de sinal contrário que ajudam à interpretação e entendimento de todos os fenómenos da natureza exterior, da natureza e da actividade humana. O homem na sua actividade deve procurar uni-los e saber combiná-los visando a Harmonia, considerado no pensamento clássico chinês como o princípio e bem supremos.


mart às 17:34
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Terça-feira, 10 de Fevereiro de 2009
A relação entre Yin e Yang

Com a dualidade do yin e yang, os sábios chineses clássicos explicavam e resolviam quase todas as questões da vida. Umas vezes combinando, outras vezes dividindo, e assim cobriam toda a experiência fenomenológica, abrangendo tudo, desde a realidade exterior às experiências interiores.

 
O jovem que vejo da janela do meu quarto, no passeio do outro lado da rua, a avançar a custo contra a força do vento é yang e representa no sistema de pensamento chinês o lado positivo. A moça que vai a seu lado, ligeiramente inclinada para a frente, de cabelos negros e longos, é yin, sendo no pensamento chinês o lado negativo. Positivo e negativo não têm aqui qualquer vinculação valorativa, tal como estamos habituados a considerá-los no sistema de pensamento ocidental. São neutrais. Talvez seja melhor pensar na electricidade com os seus pólos contrários.
 
Nesta identificação do masculino e feminino com positivo e negativo, completando-se na sua diferença, vêmos também que enquanto um se expande, o outro o absorve, se um sai de si, é o outro que o acolhe. A subtileza da observação da correlação destes fenómenos opostos, ajustados uns aos outros, é uma das grandes descobertas do espírito humano, tendo-se transformado num instrumento fundamental no processo intelectual.
 
O símbolo da unidade inseparável do yin e yang tem assim um significado profundo: Significa que um faz parte do outro; o crescimento, expansão, dilatação de um significa o atrofiamento, redução e enfraquecimento do outro. Nunca um deles, só por si, é portador da verdade aboluta, porque a verdade só é possível partindo da relação existente entre ambos os elementos.

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mart às 13:00
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Segunda-feira, 29 de Dezembro de 2008
O trigrama de Yin e Yang

Conforme o previsto inicialmente por Fu Hsi (Fu Xi) e pelo soberano Wang o livro do I-Ging (I-King) consistia em combinações de dois tipos de traços, um contínuo ­­­­­­­­­­­­­­­­__ e um intercalado _ _, aparecendo ambos em diferentes combinações significantes.
 
O traço contínuo foi designado de Yang e o intercalado de Yin. Nas combinações apareciam trigramas ou combinações de três traços, formando o círculo ou o esquema do Universo.
 
Toda a simbologia de Yang e Yin – ver posting anterior – era apresentada por estes ideogramas. Yang e Yin representavam em geral um esquema cósmico dualista, dividindo o mundo em dois princípios fixos, infinitos e antagónicos.
 
Com esta dualidade podia a humanidade, através da combinação e da divisão, fazer quase tudo. Toda a experiência dos fenómenos naturais e humanos era assim captada e explicada.
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(Em “Die lebenden Weltreligionen” de Frederic Spiegelberg, Editora suhrkamp, 1986, pág. 364/365)

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mart às 22:30
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Sexta-feira, 19 de Dezembro de 2008
Yin e Yang

No último posting já falámos de Yin e Yang. Convém reter a frase: “Yin e Yang são dois princípios fundamentais da filosofia taoista (daoista),  cujo valor simbólico e significado metafórico variavam conforme as situações concretas.”

 
A situação real, práctica, é fundamental para um correcto entendimento de Yin e Yang. Estes dois princípios são inseparáveis e estão um para o outro como o sol para a sombra. Um princípio tem sobre o outro uma influência recíproca e fluída. Estes princípios foram mencionados pela primeira vez no I Chin (Iking), Livro das Mutações, obra do tempo da dinastia Chou (data aprox. 1045-770 a.C.).
 
O livro Shi Jing(Shi King), Livros dos Cânticos, apresenta uma versão popular de Yin e Yang. Assim temos que desde o seu aparecimento, Yin designa o lado norte e frio de uma montanha, a margem sul, cheia de sombra, de um rio ou o lado sul e frio de um vale. Yang designa o seu oposto, os lados quentes e solarengos de uma montanha, de um rio e de um vale. Onde está um, também está o outro.  
 
Por associação, temos Yin simbolizando um dia de tempo frio e céu coberto e Yang representando os dias tornando-se cada vez mais quentes na Primavera. Continuando a urdir associações temos o Yang a simbolizar o sol, a luz, a claridade e Yin o seu oposto. Tudo o que tem a ver com o fogo, o calor, o ar é Yang; a humidade, a água e a terra é Yin. A porta aberta de Verão é Yang, a porta fechada no Inverno é Yin. Tao: “Onde há um ponto alto, está também um ponto baixo.”
 
O sentido erudito, abstracto e filosófico, é construído a partir destas posições básicas. Yang simboliza tudo o que é activo, produtivo, animador, criativo, brilhante, expansivo, enquanto Yin surge como metáfora do passivo, discreto, tímido, introvertido, apagado. Estamos aqui perante conceitos que se completam, interdependentes, destituídos de qualquer juízo de valor.
 
Numa cultura arcaica fortemente influenciada pelo ritmo e ciclos da natureza, traduzindo-se em festas e rituais nas comunidades humanas, também as diferenças sociais e sexuais da China Antiga estavam submetidas a esta visão simples do mundo. Yang eram os monarcas e os poderosos em geral, Yin os súbditos; Yang era o homem, Yin era a mulher. Estas diferenças não eram vistas como antagónicas mas antes complementares e relativas. Na família o pai na sua relação com o filho era Yang; o filho na sua relação com o pai era Yin. A ordem existente era a ordem natural das coisas, necessária, transcendente ao Homem.
 
Yin e Yang na sua interdependência, na sua influência recíproca, no seu controle mútuo, na sua transmutação permanente de um no outro, visavam um fim supremo, fundamental para a cultura clássica chinesa: A Harmonia. O Equilíbrio e o balanço que emergem da relação entre  Yin e Yang levou ao seu aproveitamento para a medicina nas suas mais diversas disciplinas, até aos nossos dias. Mas também para o esoterismo, espiritismo e toda a espécie de charlatanismos. Mas lá vamos.

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mart às 19:38
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√ Mesmo uma viagem de mil milhas começa com o primeiro passo.
√ A grande revelação é o silêncio.
√ Quem dirige não deve barrar o caminho aos que dirige.
√ Palavras sinceras não são agradáveis; palavras agradáveis não são sinceras.
√ Quem tem um objectivo também acha o caminho para lá chegar.

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